
Foto: Aires Mariga/Epagri
A Epagri iniciou uma jornada para intensificar a cooperação entre a área de pesquisa da empresa e o ecossistema de inovação de Santa Catarina. A Empresa vem percorrendo universidades, instituições de ciência e tecnologia e centros de inovação que atuam no segmento do agronegócio para articular parcerias que gerem soluções a partir de centenas de pesquisas desenvolvidas anualmente pela instituição. Só em 2025, foram 415 projetos executados e 20 tecnologias lançadas .
“A Epagri tem um imenso valor intangível de conhecimento científico teórico e prático da atividade agropecuária, fruto de 50 anos de pesquisa em todas as regiões de Santa Catarina. Nosso objetivo é buscar parceiros para o codesenvolvimento de soluções e produtos comerciais a partir de ativos tecnológicos, protótipos e ideias desenvolvidas e testadas por nossos pesquisadores”, afirma o pesquisador Éverton Blainski, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Um exemplo apresentado pelo diretor é o protótipo de um biofertilizante em desenvolvimento na Estação Experimental da Epagri em Videira a partir de resíduos da indústria frigorífica. “Nós já sabemos como produzir e estamos avaliando seu potencial de uso. Futuramente, vamos precisar de parceiros para transformar o composto em um produto comercial”, explica. A ideia é acelerar a sua adoção por parte dos produtores rurais e colher os benefícios para a agropecuária.
O SC Rural 2 , programa do Governo do Estado financiado pelo Banco Mundial, será um importante vetor desse movimento de inovação aberta da Epagri. Até 2030, estão previstos investimentos de R$7,5 milhões para financiamento de 50 projetos de inovação aberta com enfoque no desenvolvimento de tecnologias pesqueiras e agropecuárias sustentáveis. Junto com a Fapesc, a Epagri espera lançar o primeiro edital para seleção das propostas no início de 2027, com prazo de dois anos para execução do plano de ação.
O pesquisador Guilherme de Miranda Júnior, gerente técnico de Pesquisa, Inovação e Articulação do Programa SC Rural 2, ressalta que o objetivo é o desenvolvimento de soluções aplicadas no mais breve espaço de tempo possível. “A proposta é unir a competência da Epagri e de um dos ecossistemas de inovação mais consolidados do país para levar ao campo tecnologias capazes de potencializar o desenvolvimento sustentável do agronegócio e da pesca em Santa Catarina”, afirma.
Em paralelo, o SC Rural 2 também vai investir R$5 milhões em editais de criação e fortalecimento de startups nas áreas de pesca e agropecuária. A proposta é se unir a programas já consolidados de fomento a startups. Segundo Miranda, o momento atual é mapear os parceiros e apresentar a metodologia de trabalho.
Para atrair parceiros, a Epagri aposta no conhecimento do mercado e na credibilidade junto ao produtor rural. “A Epagri, quando chega na propriedade, é recebida na casa do produtor. Temos muito a oferecer ao ecossistema de inovação, a começar por nossa capilaridade. Quem não quer fazer parceria com uma empresa que está em todos os municípios do Estado, que tem mais de 70 anos de extensão rural e 50 anos de pesquisa agropecuária. Conseguimos mapear as demandas do setor de forma muito eficiente”, ressalta Blainski.

Para ele, a relação é de ganha-ganha. As empresas ganham com o desenvolvimento de seus negócios, o Estado com o impulsionamento da economia, a Epagri com a difusão de tecnologias iniciadas em seus laboratórios, além de eventual recebimento de royalties a partir de produtos desenvolvidos em coparceria. “Os royalties são um sistema de retroalimentação. Com tecnologias que geram receita, os recursos voltam para a pesquisa agropecuária”.
Blainski também faz questão de destacar que a pesquisa em rede não é uma novidade para a Epagri. A empresa já atua há tempos com parceiros nacionais e internacionais, principalmente instituições universitárias. Para ele, a diferença neste novo marco é a busca pela consolidação da Epagri como um ator importante no ecossistema de inovação catarinense, um processo que já vem sendo debatido na empresa há alguns anos e que agora começa a sair do papel.
Na visão do pesquisador Gustavo Klabunde, gestor do Núcleo de Inovação Tecnológica da Epagri (NIT), quem mais ganha com o modelo colaborativo de inovação da empresa é o produtor rural. “Vivemos num mundo muito dinâmico, em que a transformação tecnológica atingiu níveis sem precedentes. Acreditamos que a Epagri vai ganhar velocidade e relevância ao intensificar as parcerias com o ecossistema de inovação, acelerando nossos processos e ampliando a oferta de soluções ao produtor rural catarinense”.
Por Cléia Schmitz, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
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