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Tratamento de esgoto pode evitar emissão de 9,1 milhões de toneladas de CO2 até 2050

Estudo aponta que expansão do saneamento em São Paulo pode reduzir emissões equivalentes a mais da metade do que a capital paulista gera em um ano

22/06/2026 às 14h26
Por: Redação Fonte: Secom SP
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O objetivo da gestão paulista é antecipar a universalização do saneamento de 2033 para 2029, com quase R$ 70 bilhões em investimentos até o fim da década – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O objetivo da gestão paulista é antecipar a universalização do saneamento de 2033 para 2029, com quase R$ 70 bilhões em investimentos até o fim da década – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

A universalização do saneamento básico em São Paulo poderá evitar a emissão de até 9,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) até 2050. A estimativa faz parte de um estudo da MIT Technology Review, produzida a partir do exemplo da Sabesp, que expandiu investimentos após a desestatização feita pelo Governo de São Paulo. A instituição internacional analisa os impactos ambientais, sociais e econômicos da expansão dos serviços de água e esgoto no estado.

O objetivo da gestão paulista é antecipar a universalização do saneamento de 2033 para 2029, com quase R$ 70 bilhões em investimentos até o fim da década. As metas do período de 2024 a 2026 já superam 87% para abastecimento de água, 77% para coleta de esgoto e 71% para tratamento.

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A publicação da MIT Technology Review Brasil mostra que o saneamento também desempenha papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas. Isso porque o esgoto não coletado ou lançado sem tratamento em rios e córregos gera emissões difusas de gases de efeito estufa. Com a ampliação da coleta e do tratamento, essas emissões passam a ser controladas e reduzidas por meio da adoção de tecnologias mais eficientes.

Segundo o estudo, a combinação entre a universalização dos serviços e a implementação de novas rotas tecnológicas nas estações de tratamento poderá reduzir em até 9,1 milhões de toneladas de CO₂e até 2050. Para efeito de comparação, as emissões anuais do município de São Paulo somaram 14,7 milhões de toneladas de CO₂e em 2024, segundo dados do Observatório do Clima.

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Atualmente, os efluentes representam cerca de 88% das emissões de gases de efeito estufa associadas às operações da Sabesp. Por isso, a estratégia de descarbonização da companhia está diretamente ligada à expansão do tratamento de esgoto e à modernização das maiores estações da Região Metropolitana de São Paulo, como Barueri, ABC, São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo. Juntas, essas unidades concentram cerca de 60% das emissões relacionadas ao tratamento de esgoto.

Além da redução de até 9,1 milhões de toneladas de CO₂e até 2050, a Sabesp estima que já evitou 78,6 milhões de toneladas de CO₂ desde o início de suas atividades até 2022 e que esse total poderá chegar a 227 milhões de toneladas até 2050, em comparação com um cenário sem atuação da companhia.

Tecnologia para acelerar uma meta histórica

A inovação aparece como condição para cumprir a meta de universalização até 2029, quatro anos antes do prazo nacional previsto pelo Marco Legal do Saneamento. Um dos exemplos é a adoção da tecnologia de lodo granular na ETE Parque Novo Mundo. A solução foi escolhida porque modelos tradicionais não seriam suficientes em custo ou prazo.

A medição inteligente também é apontada como uma frente estratégica. A Sabesp firmou contrato de mais de R$ 4 bilhões para desenvolver, ao longo do tempo, o maior parque de medição inteligente de água do mundo, voltado inicialmente a consumidores da cidade de São Paulo e de São José dos Campos.

Impactos em emprego, renda e educação

O estudo “Impactos Socioeconômicos da Desestatização da Sabesp” estima que os investimentos da companhia terão influência direta no PIB brasileiro até 2060, gerando em torno de 4,6 milhões de empregos.

O acesso ao saneamento também está associado ao aumento da renda da população. Dados reunidos pelo levantamento mostram que pessoas que vivem em áreas atendidas pelos serviços possuem rendimento médio de R$ 3.359, enquanto aquelas sem acesso registram renda média de R$ 2.103.

Na educação, os impactos também são significativos. Segundo a publicação, estudantes que vivem em domicílios com banheiro próprio apresentam melhor desempenho escolar e alcançam maior escolaridade média. Dados do Painel Saneamento Brasil mostram que alunos com acesso a saneamento têm, em média, 8,49 anos de estudo, ante 5,31 anos entre aqueles sem acesso aos serviços.

Saúde pública e economia para o Estado

A saúde é o impacto mais direto da universalização. Doenças como diarreia, leptospirose e dengue estão associadas à falta de saneamento e geram custos para o sistema público. A Organização Mundial da Saúde estima que, para cada US$ 1 investido em água e saneamento, há economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo.

No caso do Rio Pinheiros, usado como exemplo de impacto mensurável, os benefícios sociais e econômicos da expansão do saneamento somaram cerca de R$ 25 bilhões, superando em quase R$ 8 bilhões os custos estimados no mesmo período. A experiência é apresentada como referência para o Integra Tietê, programa que busca acelerar a despoluição da bacia do Alto Tietê e ampliar a coleta e o tratamento de esgoto em escala metropolitana.

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