
A Mata Atlântica, em pleno território paulista, reserva para os olhares atentos dos observadores de pássaros e de outros animais silvestres o encontro com a natureza bruta daquela que foi um dia chamada de “Floresta Mãe”. Para completar o roteiro de turismo de natureza, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou o Guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestr e, em sua segunda edição, na qual a Mata Atlântica se mostra em sua totalidade, pronta para as lentes e câmeras dos turistas atentos que estiverem nas cidades da Baixada Santista.
Tal como um dia fez o padre José de Anchieta, que escreveu em maio de 1560, nos idiomas Latim e Espanhol, um relatório detalhado sobre a Mata Atlântica chamado “Carta de São Vicente”, onde ele descreve em detalhes a fauna, a flora, o clima e suas geografias humana e física, os turistas de hoje percorrem trajetos similares, em busca de experiências em meio à natureza. Para dar asas à observação atenta e às clicadas dos curiosos e aficionados.
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A Região Turística (RT) Costa da Mata Atlântica é um dos habitats mais cobiçados do Brasil para quem pratica o birdwatching. Espécies endêmicas e migratórias podem ser avistadas em recantos das cidades da Baixada Santista componentes da RT como Santos, São Vicente, Praia Grande, Peruíbe, Mongaguá, Itanhaém, Bertioga ou Guarujá.
Há muita variedade de animais alados num espaço que abrange restingas, estuários, mangues com passarelas ecológicas, trilhas no Parque Estadual da Serra do Mar, com seus núcleos Ututinga-Pilões e Curucutu e áreas de proteção ambiental. Os pássaros mais vistos na região são o tiê-sangue, o gavião-pombo-pequeno, o raríssimo formigueiro-do-litoral, o tangará e o guará-vermelho.
Após a Ponte do Mar Pequeno, na entrada de Praia Grande (a 77,6 km da capital), encontra-se a área aberta de manguezal conhecida como Portinho, o Parque Ézio Dall’Acqua, em que já foram catalogadas 165 espécies de aves, entre migratórias e residentes.
As melhores épocas para observação dos pássaros são o outono, o inverno e a primavera, a uma distância de 10 km, num percurso que dura de 2 a 3 horas. No local, merecem destaque espécies ameaçadas como a saíra-sapucaia e o exuberante guará, além de aves como saíra-de-sete-cores, o araçari-banana, a saracura-matraca e o jaó-do-sul.
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O bairro do Guaraú fica a 8 km do centro de Peruíbe, é circundado pela Estação Ecológica Juréia-Itatins (que chega até Iguape), sendo coberto por uma área de densa Mata Atlântica, além de manguezais, restingas, trilhas e cachoeiras, além de uma praia paradisíaca. Aves costeiras e que habitam áreas úmidas e estuários são encontradas no Guaraú, como a saíra-sete-cores, a saracura matraca, o araçari-banana, o jaó-do-sul e a saíra-sapucaia. A melhor época do ano para observação de aves em Peruíbe é de março a novembro.
Também é de março a novembro, na região da praia de Taninguá, em Peruíbe, o período de avistamento de espécies de aves como o piru-piru, o maçarico-de-papo-vermelho, o batuiruçu, a batuíra-de-bando e o maçarico-branco. A região é uma das mais importantes áreas de descanso e migração das aves de áreas úmidas, onde centenas delas passam pelo local em rota de migração. Peruíbe está localizada a 651 km de São Paulo.
Composto por vegetação exuberante e de relevo acidentado, o Parque Natural Municipal Morro do Ouro, em Apiaí, é uma unidade de conservação fundamental para a preservação do bioma Mata Atlântica. O parque é habitat para uma fauna variada, com suas partes baixas (a trilha da Biquinha) e o mirante, a 1.080 m de altitude, que proporcionam nichos de observação de aves de encosta e de mata preservada. Espécies como o gavião-de-penacho, o tangará-da-serra e o sabiá-una são as principais encontradas no Morro do Ouro. Melhor época do ano para observação das aves, na região é o mês de setembro.
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Cerca de 330 espécies de aves, animais que representam quase 20% da fauna alada brasileira, estão abrigadas no Parque Estadual Carlos Botelho, um santuário localizado em plena Mata Atlântica a 206 km de São Paulo. Para os amantes de birdwatching, a região conta com uma rota de observação de aves em pleno Núcleo São Miguel Arcanjo, com trilhas e roteiros específicos que passam entre bosques de araucárias e áreas de regeneração da Mata Atlântica até as margens de uma represa, onde se podem contemplar os pássaros. Trajetos de dificuldade baixa, numa extensão de 2 km entre ida e volta.
Em fins de maio de 1560, o padre José de Anchieta, aos 26 anos, termina o seu relatório sobre os mais variados detalhes da Mata Atlântica, redigido em Latim e Espanhol e que ficou conhecido como a “Carta de São Vicente”. Fauna, flora, clima, geografias física e humana são temas do relatório, entre os tantos que eram enviados aos superiores jesuítas, na Europa. Para facilitar a compreensão, Anchieta tecia comparativos entre o que havia na América e no continente europeu, à época.
Anchieta escreveu sobre as aves que avistou e tecia comparações com aves europeias para que seus leitores imaginassem o universo vivo da Mata Atlântica, que ficou conhecida como Floresta Mãe. Observando a plumagem, o voo e a anatomia desses animais, o padre chegou a dizer sobre o conjunto de fauna alada da Mata Atlântica que “em verdade, não é fácil dizer quanta diversidade há de aves ornadas de várias cores”. Sobre os beija-flores, na forma como são denominados pelos indígenas que “há ainda outros passarinhos, chamados guainumbi, os mais pequenos de todos; alimentam-se só de orvalho (…)”
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