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Biodiversidade insular: SC é refúgio do preá-de-moleques-do-sul e de nova descoberta na Serra do Tabuleiro

Crédito de fotos: Diego José Santana e Luciano CandisaniO Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação de proteção integral ...

23/05/2026 às 07h05
Por: Redação Fonte: Secom SC
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Foto: Reprodução/Secom SC
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Crédito de fotos: Diego José Santana e Luciano Candisani

O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina, abriga um dos cenários evolutivos mais singulares do mundo: as Ilhas Moleques do Sul, habitat exclusivo do preá-de-moleques-do-sul (Cavia intermedia). O pequeno mamífero, descendente da Cavia magna, detém o título de espécie com a menor distribuição geográfica do planeta e sobrevive em um ecossistema de extrema fragilidade. A urgência da preservação é evidente: a população não ultrapassa 50 indivíduos.

No Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), instituição responsável pela gestão do parque, a bióloga Luthiana Carbonell dos Santos acompanha de perto os esforços de conservação. Segundo ela, a raridade da espécie vem acompanhada de uma vulnerabilidade biológica crítica.

“O preá-de-moleques-do-sul é uma espécie ameaçada de extinção e tem uma distribuição muito restrita. Ao longo da evolução, os indivíduos vêm cruzando entre si, o que reduz a variabilidade genética e confere pouca resiliência frente a impactos externos que possam ser levados para a ilha”, afirma.

Por essa condição, o arquipélago foi classificado como Zona Intangível do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. “O desembarque no local é proibido devido à fragilidade dessa espécie. A ilha é um verdadeiro extremo biológico; é admirável como um mamífero conseguiu evoluir e persistir por tanto tempo em um espaço tão pequeno, com recursos tão escassos”, ressalta Luthiana.

Esforço coletivo

Foto: Reprodução/Secom SC
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Para garantir a sobrevivência de tesouros naturais como o preá, o esforço é coletivo. A espécie possui um plano estadual de conservação coordenado pelo IMA e é prioridade em nível nacional, integrando o Plano Nacional para a Conservação dos Pequenos Mamíferos Florestais, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

“É um grande desafio por se tratar de uma área muito próxima ao continente. Por isso, levar o conhecimento científico à população é fundamental para que todos compreendam por que não se pode desembarcar na ilha e para que esse ecossistema possa ser admirado e preservado”, conclui Luthiana.

É estritamente proibido o desembarque no local sem autorização prévia do IMA. A ilha é fiscalizada pela Marinha, Polícia Ambiental e IMA. Caso presencie o desembarque irregular no Arquipélago Moleques do Sul entre em contato com a Polícia Militar Ambiental  (48) 3365-4906 

Pingo-de-ouro

Foto: Reprodução/Secom SC
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O potencial científico do parque, contudo, vai além do preá-de-moleques-do-sul. A unidade de conservação funciona como um laboratório vivo, onde o isolamento geográfico e a diversidade de habitats continuam revelando surpresas. Um exemplo é a recente descrição do Brachycephalus tabuleiro, conhecido como pingo-de-ouro-do-tabuleiro , anfíbio batizado em homenagem à unidade.

Para o biólogo Daniel de Araújo Costa, coordenador do parque pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), essas descobertas reforçam a relevância científica da área.“Não temos apenas espécies exclusivas, mas também espécies com distribuição extremamente restrita. A descoberta desse novo anfíbio reforça que a unidade é um espaço de constante revelação científica e indica que ainda há muito a ser descoberto dentro do parque”, pontua.

O papel estratégico do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro

Além de abrigar espécies raras, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro desempenha papel essencial para a infraestrutura e a qualidade de vida em Santa Catarina. Com 84.130 hectares, a unidade de conservação é a principal fonte de abastecimento hídrico para mais de um milhão de pessoas na Grande Florianópolis e no Litoral Sul. A preservação das bacias dos rios Cubatão, D’Una e Vale do Braço garante o fornecimento de água potável à população.

Reconhecido pela Unesco como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o parque é administrado pelo IMA. O trabalho de conservação reúne, além do instituto, instituições como a Polícia Militar Ambiental, a Marinha do Brasil, a Universidade Federal de Santa Catarina, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e o Instituto Tabuleiro.

Foto: Reprodução/Secom SC
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Serviço: 

  • Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro: O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro é administrado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e mantém uma estrutura voltada à educação ambiental e ao monitoramento da biodiversidade.
  • Localização:Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Maciambu. O acesso é feito pela BR-101, no km 238.
  • Funcionamento:de quarta a domingo, das 9h às 17h.
  • Atividades:o centro oferece suporte aos visitantes por meio de palestras e acesso ao Eco Museu, com foco na conscientização sobre a importância dos recursos hídricos e da fauna protegida pela unidade de conservação.
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