
Após quase três décadas, a Cracolândia deixou de existir como um problema permanente na região central da capital paulista. O resultado foi alcançado por meio de uma atuação integrada do poder público, que reuniu ações de segurança, saúde, assistência social, habitação e requalificação urbana, além do combate às estruturas do crime organizado que sustentavam o fluxo de usuários na região. Em entrevista ao SP POD, podcast da Agência SP, o vice-governador Felício Ramuth detalhou as estratégias adotadas desde de 2023 para desmobilizar a cena aberta de uso.
“Para que a gente pudesse acertar, fomos entender quem eram aquelas pessoas. Muitos pensaram que aquilo aconteceu da noite para o dia, mas foi resultado de um trabalho contínuo”, afirmou.
As ações começaram com a criação do Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas , na Rua Prates, na região central, com a ampliação da rede de leitos especializados, implantação de casas terapêuticas, reforço policial e operações de inteligência contra o crime organizado que atuava na região.
“O primeiro passo importante foi separar aquilo que era traficante do usuário e dar um atendimento completamente diferente para aqueles que estão em situação de vulnerabilidade”, afirmou Felício durante a entrevista.
Segundo o vice-governador, o Hub já contabiliza mais de 30 mil internações e encaminhamentos para tratamento. Além disso, o Governo de SP ampliou de 170 para mais de 800 os leitos especializados para dependentes químicos e estruturou quase 2 mil vagas para acolhimento em comunidades terapêuticas.
Na frente de assistência social, o vice-governador destacou a criação das casas terapêuticas, que atualmente somam 580 vagas. Paralelamente às ações de acolhimento, o Governo de SP intensificou o combate ao crime organizado. As operações policiais resultaram no fechamento de hotéis, pensões e ferros-velhos ligados ao tráfico, além da prisão de lideranças criminosas que atuavam no centro da capital. Segundo o Governo de SP, as ações também atingiram estruturas financeiras usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado.
Felício também citou o reassentamento das famílias da Favela do Moinho como uma etapa importante para desmontar a estrutura logística do tráfico na região central.
Os reflexos das ações já aparecem nos indicadores de segurança. A região central já registrou redução de 70% nos roubos em comparação com 2022. O vice-governador Felício Ramuth afirmou que o trabalho também permitiu interromper a dinâmica que atraía usuários para a Cracolândia.
Segundo Felício Ramuth, os dados mostram que não houve dispersão dos usuários da antiga Cracolândia para outras áreas do centro. Segundo ele, apenas 10% das pessoas abordadas atualmente em ações sociais e policiais já passaram pela antiga cena aberta de uso. Os outros 90% são novos casos identificados nas ruas da capital.
“Essas pessoas da Cracolândia estão nas nossas comunidades terapêuticas, nos nossos hospitais especializados ou estão de volta para suas casas”, afirmou o vice-governador.
Felício explicou que a continuidade do trabalho depende da presença permanente do Estado na região, com monitoramento por câmeras, reconhecimento facial, ações do programa Muralha Paulista e abordagens integradas entre polícia, assistência social e saúde.
Durante a entrevista ao SP POD, Felício Ramuth anunciou duas novas iniciativas que devem ampliar a política estadual sobre drogas.
A primeira delas é um programa de prevenção ao uso de drogas nas escolas estaduais. Segundo o vice-governador, o projeto foi desenvolvido com apoio de especialistas nacionais e internacionais e terá abordagem transversal dentro das disciplinas escolares.
“Criamos um programa para a educação completamente diferente do que já havia sido feito. O trabalho dentro da educação agora está sendo feito de forma transversal”, disse.
A segunda novidade é a expansão do modelo do Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas para o interior e o litoral paulista. Segundo o vice-governador, a meta é expandir o modelo para médias cidades paulistas, levando estruturas de acolhimento e tratamento para regiões como Campinas, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba e litoral sul.
“O projeto é que a gente tenha as médias cidades contempladas com o Hub para dar acolhimento e tratamento a essas pessoas”, afirmou.
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