Sexta, 24 de Abril de 2026
18°C 34°C
Dourados, MS

Nota Técnica: Mortandade de Manjubinhas no Manguezal do Itacorubi

Foto: Divulgação/IMAO Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) informa que acompanhou a ocorrência de mortandade de peixes registrada na ...

24/04/2026 às 11h26
Por: Redação Fonte: Secom SC
Compartilhe:
Foto: Reprodução/Secom SC
Foto: Reprodução/Secom SC

Foto: Divulgação/IMA

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) informa que acompanhou a ocorrência de mortandade de peixes registrada na manhã de quarta-feira, 22, em área localizada no Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis. A atuação do Instituto ocorreu após acionamento por parte da Floram, responsável pela gestão da área, com o objetivo de prestar apoio técnico na avaliação do evento. Equipes do IMA foram mobilizadas para realização de vistoria em campo, levantamento preliminar da situação e coleta de amostras ambientais.

Foram realizadas análises físico-químicas (ainda em fase de conclusão) além de análises voltadas à verificação da eventual ocorrência de floração de microalgas. As amostras coletadas estão sendo processadas em laboratório, com o objetivo de avaliar parâmetros de qualidade da água e identificar possíveis alterações associadas ao evento.

De acordo com as avaliações, ainda preliminares, o fenômeno apresenta características semelhantes ao registrado em março de 2024, quando grandes florações de microalgas da família Karenaceae se espalharam pelas Baías Norte e Sul. Imagens de satélite e análises realizadas em parceria com o IFSC, em Itajaí, indicam similaridade entre os dois eventos.

Nesse contexto, o servidor do IMA, oceanógrafo Carlos Eduardo Junqueira de Azevedo Tibiriçá, especialista na área, apresenta a seguinte análise técnica:

“Recentemente (22/04/2026), foi registrada a mortandade de peixes, principalmente manjubinhas, no Manguezal do Itacorubi, Florianópolis/SC. Este evento é muito semelhante ao ocorrido em março de 2024, sendo causado por grandes florações de microalgas (da família Karenaceae) que se espalharam pelas Baías Norte e Sul. Imagens de satélite e análises realizadas em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em Itajaí confirmam a similaridade do evento atual com o de 2024. A hipótese central é que essas microalgas estão sendo empurradas pelas correntes para áreas com menor circulação de água, como alguns canais dentro do manguezal, criando um ambiente crítico para a fauna local. A principal causa da morte dos peixes deve ser a falta de oxigênio na água, processo conhecido como hipóxia (análises in situ realizadas pelo IMA indicaram pontos com oxigênio dissolvido próximo a zero). Durante a noite, a grande quantidade de algas consome o oxigênio para respirar e, ao morrerem, sua decomposição no fundo do manguezal consome ainda mais o oxigênio da água. Quando esse processo ocorre em área com baixa circulação, espécies sensíveis, como a manjubinha, não conseguem suportar, levando à sua morte em massa. Pontua-se que a floração é um evento complexo e dinâmico. A densidade celular e as espécies mudam o tempo todo, e precisam de monitoramento. As análises realizadas até o momento apontam para essa conclusão preliminar, mas novos dados continuam sendo obtidos e interpretados para entendermos melhor o fenômeno. Recomenda-se que os municípios afetados pela mortandade de peixes procedam com a retirada e descarte adequado dos peixes mortos, pois sua decomposição pode agravar os problemas; ainda, que peixes mortos ou morimbundos não sejam coletados ou consumidos; e, por fim, que banhistas evitem áreas com manchas incomuns na água, acompanhando os relatórios de balneabilidade do IMA.”

O Instituto reforça que florações de microalgas são fenômenos complexos e altamente dinâmicos, podendo variar rapidamente em intensidade, extensão e composição de espécies. Dessa forma, o monitoramento contínuo é essencial para a adequada compreensão e gestão desses eventos.

Próximos passos

Paralelamente, o IMA está elaborando um relatório técnico mais abrangente sobre o episódio. O documento reunirá análises ambientais detalhadas, avaliação da dinâmica do evento além de dados de monitoramento, imagens de satélite e demais evidências científicas necessárias para embasar o laudo conclusivo.

A previsão é que o relatório final seja concluído no prazo de até 20 dias.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Dourados, MS
32°
Tempo limpo

Mín. 18° Máx. 34°

30° Sensação
2.65km/h Vento
20% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
06h54 Nascer do sol
18h19 Pôr do sol
Sáb 35° 19°
Dom 35° 22°
Seg 27° 16°
Ter 24° 16°
Qua 28° 17°
Atualizado às 12h05
Economia
Dólar
R$ 5,01 -0,24%
Euro
R$ 5,87 -0,04%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 413,313,04 -0,10%
Ibovespa
190,081,70 pts -0.68%