
Ao completar nesta terça-feira (14) 50 anos de atuação, a Defesa Civil do Estado de São Paulo evidencia uma trajetória marcada pelo fortalecimento contínuo da prevenção, pela incorporação de tecnologia e pelo aprendizado acumulado em grandes operações. Criada em 1976, após tragédias que evidenciaram a necessidade de uma estrutura organizada de resposta e mitigação de riscos, a instituição evoluiu para um modelo que prioriza a antecipação de desastres, a proteção da vida e a construção de cidades mais resilientes em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Desde 2023, o Governo de São Paulo destinou mais de R$ 400 milhões para o fortalecimento da Defesa Civil, com a realização de mais de 250 obras de infraestrutura, entrega de mais de 460 veículos e distribuição de 1,8 mil kits de equipamentos aos municípios, além da implantação de 12 sirenes em áreas de risco. As ações incluem ainda programas estruturantes como o SP Sempre Alerta, com R$ 371,4 milhões em prevenção e combate a desastres, e o SP Sem Fogo, que recebeu cerca de R$ 215,9 milhões em investimentos. Nesta terça, mais R$ 195 milhões foram anunciados.
“Os nossos objetivos são ano após ano reduzir o número de pessoas que a gente perde nos eventos climáticos, aumentar o nível de informação da população, aumentar o nível de alerta de atenção, chegar antes com os alarmes de prevenção, com as informações acerca das mudanças de tempo”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.
A estratégia da Defesa Civil estadual nos últimos anos tem como eixo central a descentralização e o fortalecimento das Defesas Civis municipais, hoje presentes nos 645 municípios paulistas. Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Araújo Monteiro, a experiência ao longo das décadas foi determinante para o fortalecimento da resiliência e das políticas de prevenção. “Se a gente fortalecer a base, fortalecer os sistemas municipais, nós teremos um sistema estadual mais forte e isso é o que estamos fazendo”, afirmou.
Aprendizado operacional e prevenção
A origem da Defesa Civil está diretamente ligada ao aprendizado com grandes eventos adversos. A tragédia de Caraguatatuba, no litoral norte, em 1967, quando centenas de pessoas morreram por causa da chuva, e ocorrências como os incêndios nos edifícios Joelma e Andraus, impulsionaram a criação de uma estrutura permanente de gestão de riscos. Desde então, cada episódio enfrentado contribuiu para o aprimoramento de protocolos, ferramentas e estratégias de atuação – que, por sua vez, tiveram impacto positivo no aprimoramento da prevenção do atendimento a novas ocorrências.
Esse processo se intensificou nos últimos anos, sobretudo após as chuvas que atingiram São Sebastião em fevereiro de 2023 . A operação, considerada uma das mais complexas da história recente do estado, evidenciou desafios logísticos e operacionais, ao mesmo tempo em que gerou aprendizados aplicados diretamente no fortalecimento da prevenção. “Foram dias muito intensos. Você não conseguia dormir, você quer o quanto antes socorrer, levar um conforto, levar um atendimento para as pessoas”, relatou o coronel Araújo Monteiro.
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A experiência reforçou a importância de planejamento prévio, integração entre órgãos e uso de múltiplos modais de acesso em situações de emergência, como transporte aéreo e marítimo. Também evidenciou a necessidade de atuação junto à população em áreas de risco, sobretudo na conscientização sobre evacuação preventiva, um dos pontos críticos observados durante a operação.
O aprendizado operacional também se refletiu na atuação em eventos fora do estado, como no apoio às enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. A mobilização envolveu a organização de bases regionais, gestão de doações e definição de rotas alternativas em cenários de infraestrutura comprometida.
Mais investimentos
Paralelamente à evolução operacional, o Governo de São Paulo ampliou os investimentos em infraestrutura, tecnologia e aparelhamento. Nesta terça-feira, foi anunciado um pacote de R$ 195 milhões voltado ao fortalecimento da resiliência das cidades, incluindo a aquisição de oito novos radares meteorológicos, contratação de obras de contenção e drenagem, compra de viaturas e caminhões-pipa, além de novos mapeamentos locais de risco.
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Os radares, em especial, representam um avanço estratégico na capacidade de monitoramento e antecipação de eventos climáticos, permitindo maior precisão na emissão de alertas e no acompanhamento de fenômenos extremos. “Para a gente ter esses alertas, você tem que ter um monitoramento com maior precisão. E isso estamos buscando com mais radares”, explicou o coordenador.
O mapeamento de áreas vulneráveis também ganhou escala. Atualmente, o estado conta com mais de mil instrumentos de identificação e classificação de risco, que orientam intervenções estruturais e ações preventivas. Em São Sebastião, por exemplo, novos estudos foram contratados para aprofundar o conhecimento sobre áreas suscetíveis a deslizamentos.
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A Defesa Civil estadual também investe na mobilização comunitária como elemento central da prevenção. A criação de Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) em áreas vulneráveis é um exemplo, com a capacitação de voluntários para monitoramento de riscos, orientação da população e apoio em situações de emergência.
No enfrentamento de incêndios durante períodos de estiagem, outro desafio recorrente, o estado estruturou operações sazonais com reforço de equipamentos, contratação de aeronaves e integração com brigadistas de diferentes setores. Em momentos críticos, mais de 20 aeronaves e cerca de 15 mil profissionais atuaram simultaneamente no combate às chamas, evidenciando a capacidade de coordenação do sistema.
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