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Governo do Estado realiza força-tarefa sanitária sobre os riscos da praga caruru-gigante para as lavouras

A região do Alto Uruguai, que reúne mais de 30 municípios, será a primeira no Rio Grande do Sul a receber a força-tarefa do governo do Estado contr...

10/04/2026 às 09h30
Por: Redação Fonte: Secom RS
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Orientação é que o maquinário que ingressar no RS passe por sanitização e limpeza completa para remoção de sementes da praga -Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa
Orientação é que o maquinário que ingressar no RS passe por sanitização e limpeza completa para remoção de sementes da praga -Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa

A região do Alto Uruguai, que reúne mais de 30 municípios, será a primeira no Rio Grande do Sul a receber a força-tarefa do governo do Estado contra o Amaranthus palmeri, também conhecido como caruru-gigante. As visitas a propriedades rurais e as ações de educação sanitária junto a entidades regionais vão ocorrer de 13 a 17 de abril, envolvendo 26 servidores do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

A praga quarentenária representa alto risco à produção agrícola, com ocorrência já confirmada em Santa Catarina e São Paulo. Ela pode causar prejuízos expressivos, com perdas de até 79% na produtividade da soja e de 91% no milho, além de elevar os custos de produção e dificultar as operações de colheita.

A ação consiste em visitas a propriedades rurais para dialogar com os produtores sobre os riscos do caruru-gigante. “Abordaremos as principais diferenças entre o caruru-gigante e outras espécies de caruru, os potenciais danos que essa planta daninha pode causar nas propriedades, bem como as formas de controle e prevenção. Daremos especial atenção à importância da aquisição de sementes certificadas e aos cuidados com o trânsito de maquinário, especialmente aquele proveniente de fora do Rio Grande do Sul”, explica o fiscal estadual agropecuário Alonso Duarte de Andrade.

Controle rigoroso

Segundo o fiscal agropecuário, a orientação é para que o maquinário que ingressar no Estado passe por sanitização e limpeza completa, com a remoção de quaisquer resíduos que possam conter sementes da praga. Além disso, os agentes do Estado orientam sobre os procedimentos adotados pela defesa agropecuária em caso de identificação de plantas suspeitas, incluindo a coleta de amostras e, se confirmada a presença da espécie, a contenção do foco.

“Nesse sentido, realizamos a orientação ao produtor, promovendo a educação sanitária. Buscamos integrá-lo ao sistema de defesa agropecuária, pois entendemos que ele é parte fundamental desse processo, assim como transportadores e demais envolvidos, formando uma engrenagem que visa impedir a introdução e possível disseminação dessa praga no Rio Grande do Sul”, ressaltou Alonso.

Planta daninha já teve ocorrência confirmada em propriedades de Santa Catarina e São Paulo -Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa
Planta daninha já teve ocorrência confirmada em propriedades de Santa Catarina e São Paulo -Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa

Expansão para todo o Estado

Na etapa inicial, a prioridade é visitar municípios da região Noroeste do Estado próximos à divisa com Santa Catarina. Entre eles estão Frederico Westphalen, Seberi, Alpestre, Nonoai, Aratiba e Barracão. Também serão contemplados Lagoa Vermelha e outros municípios da região Norte do Rio Grande do Sul, como Três Passos, Crissiumal, Doutor Maurício Cardoso, Boa Vista das Missões e Palmeira das Missões.

De acordo com a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal, Deise Feltes Riffel, enquanto a força-tarefa atua no Alto Uruguai, as demais unidades estaduais promovem atividades de orientação e conscientização junto aos produtores rurais nas outras regiões. “Priorizamos a região do Alto Uruguai, na divisa com o foco inicial, devido à proximidade [com a divisa], mas não vamos descuidar da vigilância nas demais regiões, já que a praga também está presente na Argentina e no Uruguai. Os produtores devem estar atentos, assim como o órgão estadual”, enfatizou.

Orientações técnicas

O caruru-gigante se destaca pela rápida disseminação, elevada produção de sementes e resistência a diferentes herbicidas, fatores que dificultam o controle. Sobre o tema, a Seapi publicou uma nota técnica do DDV no dia 30 de março. A espécie foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2015, no Estado de Mato Grosso, com registros posteriores em Mato Grosso do Sul, em 2022. Até o momento, as ocorrências nos Estados de São Paulo e Santa Catarina são consideradas pontuais e estão sob controle fitossanitário dos órgãos estaduais de defesa vegetal.

Prevenção é fundamental

O DDV orienta que produtores rurais adotem medidas preventivas, como o uso de sementes certificadas, a limpeza de máquinas e implementos agrícolas e o monitoramento frequente das lavouras. O trânsito de equipamentos provenientes de áreas com ocorrência da praga deve ser evitado, pois essa é uma das principais formas de disseminação. Em casos suspeitos, a recomendação é não manejar a área e comunicar imediatamente os órgãos de defesa sanitária vegetal.

Produtores rurais devem ficar atentos e comunicar ocorrências suspeitas imediamente à Seapi -Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa
Produtores rurais devem ficar atentos e comunicar ocorrências suspeitas imediamente à Seapi -Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa

Principais medidas para erradicação e contenção

  • Interdição da área infestada;

  • Proibição do trânsito de solo, material vegetal e outros resíduos;

  • Remoção e destruição das plantas;

  • Levantamento de delimitação em áreas vizinhas e naquelas que compartilharam máquinas e implementos.

Alerta e orientação aos produtores

  • Entre as características da planta, é uma espécie altamente adaptada a ambientes quentes;

  • Crescimento acelerado, podendo ultrapassar 5 cm por dia;

  • Espécie dióica (plantas masculinas e femininas separadas), o que aumenta a variabilidade genética;

  • Inflorescências femininas com aspecto espinhoso, diferentemente das masculinas; cada planta fêmea pode produzir de 200 mil a 1 milhão de sementes, pequenas e facilmente dispersáveis;

  • Folhas podem apresentar mancha esbranquiçada em formato de “V” invertido;

  • Pecíolo (haste) geralmente igual ou maior que o limbo foliar; espécie com alta capacidade de resistência múltipla a herbicidas.

Como comunicar suspeitas

Ocorrências suspeitas devem ser imediatamente comunicadas à Seapi pelo e-mail defesavegetal@agricultura.rs.gov.br , com envio de registro fotográfico, localização precisa (endereço e, principalmente, coordenadas geográficas). Outras informações também podem ser obtidas pelos telefones: (51) 3288-6294 e (51) 3288-6289.

Texto: Elstor Hanzen/Ascom Seapi
Edição: Secom

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