
Criado em 2024 para monitorar as redes sociais e combater crimes envolvendo crianças, adolescentes e animais, o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo , já salvou 365 vítimas e mais de mil animais. A afirmação é da delegada e coordenadora do Núcleo, Lisandrea Colabuono, que participou do SP Pod, o podcast da Agência SP, cuja estreia ocorreu nesta quarta-feira (1).
Segundo a delegada, a criação do núcleo ocorreu após os ataques em escolas pela necessidade de compreender como as redes sociais estavam sendo utilizadas para cometer crimes . “Não tínhamos dados, precisávamos saber o motivo, traçar um perfil criminal dos responsáveis pelos ataques”, disse. Hoje, o núcleo se concentra em evitar ataques. “O foco do nosso trabalho são as vítimas, em sua maioria crianças. A gente não dorme para salvar vidas”, disse Lisandrea.
O trabalho do Núcleo, explica a delegada, é monitorar as ‘chans’, comunidades anônimas da deepweb que agregam pessoas com os mesmos interesses, e as chamadas “panelinhas” nas redes sociais, plataformas preferidas pelos responsáveis por esse tipo de crime.
“Muitos são adolescentes que buscam pertencimento e que de certa forma têm dificuldade de interação social. As vítimas, em sua maioria, são meninas, de 6 a 14 anos”, explicou a delegada.
No podcast, Lisandrea chama a atenção para a falta de motivação específica dos agressores e a banalização da violência .
“Não há motivação financeira. Na verdade, por vezes ali é a violência pela violência, apenas para ficar conhecido entre seus pares nos grupos”, afirma.
Outro detalhe importante é o horário das agressões, geralmente de madrugada, horário em que os pais estão dormindo e as crianças usam a internet sem vigilância.
“Já houve casos de ligarmos para os pais que estavam dormindo enquanto seu filho estava sendo submetido a mutilações”. disse. Por isso, segundo a delegada, o Noad faz um trabalho intenso de monitoramento entre 22h e 5h.
A delegada chamou a atenção para a necessidade de os pais interagirem e monitorarem os filhos nas redes com extrema atenção.
“Conheçam seus filhos mais do que qualquer algoritmo. Hoje, o algoritmo sabe exatamente o que o filho de cada um de nós quer nas redes. Ele identifica em 3 segundos e começa a passar”, alerta a delegada, que ainda acrescenta: “Seja o algoritmo na vida do seu filho. Não deixe que uma rede social o conheça melhor que você”.
A coordenadora do Noad disse que um dos maiores problemas enfrentados pela polícia em crimes virtuais é a falta de colaboração de algumas plataformas .
“A moderação das plataformas é absolutamente necessária. Tivemos um caso, por exemplo, de uma adolescente se mutilando e nós acionamos a plataforma para que derrubasse o servidor e preservasse os dados para investigarmos. Eles [a plataforma] não consideraram o caso urgente nem violento”, disse.
Lisandrea afirma que é necessário vislumbrar um cenário em que a plataforma consiga monitorar que o crime está ocorrendo, “porque eles têm a tecnologia para isso”, e acione imediatamente a força de segurança. “Hoje sabemos, por exemplo, que as plataformas preferidas dos criminosos são aquelas que possuem pouca moderação”. enfatizou.
A delegada explicou ao SP Pod que o Estado de São Paulo foi pioneiro na criação do Núcleo de Observação e Análise Digital e na identificação de falhas de moderação nas plataformas, que foram comunicadas ao Ministério Público do Estado de São Paulo.
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