
A Portos RS esteve presente no 4º Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul RS, realizado em Rio Grande, contribuindo ativamente com os debates sobre inovação e sustentabilidade no setor marítimo. O destaque na segunda-feira (30/3) foi para o painel sobre o avanço do chamado corredor verde ligando o Porto do Rio Grande à região de Antuérpia e Roterdã (ARA), na Europa.
O conceito de corredor verde refere-se a uma rota marítima estruturada para operar com emissões de gases de efeito estufa reduzidas, conectando portos estratégicos por meio do uso de combustíveis sustentáveis e de tecnologias de alta eficiência. No projeto, o Porto do Rio Grande passa a ocupar uma posição central nessa iniciativa, atuando como ponto de origem de uma rota que conecta o Brasil diretamente ao mercado europeu em bases mais sustentáveis.
Além disso, trata-se do primeiro corredor marítimo estruturado com uso de biodiesel na escala entre a América do Sul e a Europa, consolidando-se como um marco relevante na transição energética do setor. De acordo com os dados apresentados, a operação atual utiliza uma mistura de combustível B24, sendo 24% de biocombustível e 76% de óleo combustível marítimo de baixo teor de enxofre (VLSFO, na sigla em inglês), o que permite uma redução de emissões entre 20% e 30%, com perspectiva de avanços ainda maiores no futuro.
A empresa Odfjell já vem operando essa rota com a utilização de biocombustíveis em viagens de longo curso, posicionando-se como uma das companhias pioneiras nesse tipo de operação. A iniciativa prevê a realização de cerca de 10 a 15 viagens por ano dentro desse modelo, reforçando a viabilidade técnica e econômica do corredor verde.
"Fazemos isso para demonstrar que combustível certificado, tecnologia e infraestrutura já estão disponíveis", afirmou Marcelo Pasquali, vice-presidente comercial da Flumar, subsidiária brasileira da Odfjell. "Com isso, mostramos que o biocombustível sustentável é uma opção viável para a navegação de longo curso hoje", complementou.
Também destacou-se na apresentação o papel estratégico do Brasil nesse contexto, não apenas como origem logística, mas como potencial fornecedor de biocombustíveis em escala global. Os empresários enxergam o país como peça-chave na cadeia de descarbonização do transporte marítimo, especialmente pela capacidade de produção de combustíveis renováveis que podem abastecer rotas internacionais.

Outro ponto relevante abordado foi a construção de parcerias internacionais para viabilizar o corredor, incluindo conexões com importantes hubs portuários europeus, como o complexo de Antuérpia e Roterdã. Essas articulações ampliam as possibilidades comerciais, aumentam a eficiência logística e fortalecem a integração entre continentes sob uma lógica sustentável.
A proposta do corredor verde também se insere em um contexto mais amplo de transformação do transporte marítimo, no qual empresas vêm investindo de forma consistente em tecnologias de redução de emissões e eficiência energética. A companhia já alcançou metas relevantes nesse campo, antecipando compromissos ambientais e demonstrando que é possível alinhar competitividade com sustentabilidade.
Ao mediar o painel, o diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, reforçou a importância de iniciativas como essa para o futuro da economia azul no Rio Grande do Sul, destacando o potencial do Porto do Rio Grande como protagonista em rotas internacionais sustentáveis. O presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, também destacou a relevância da transição energética para o setor portuário: "Seguimos comprometidos com o avanço de práticas sustentáveis e com a inserção do Porto do Rio Grande em iniciativas globais que promovam a descarbonização e a inovação no transporte marítimo", enfatizou.
A discussão evidenciou que o corredor verde não é apenas uma inovação logística, mas um passo concreto na direção de um modelo de desenvolvimento que integra crescimento econômico, responsabilidade ambiental e cooperação global. Nesse sentido, a iniciativa ganha força a partir da atuação conjunta entre a Portos RS e os demais parceiros envolvidos, consolidando uma agenda colaborativa voltada à descarbonização do transporte marítimo.
Com isso, o desenvolvimento do corredor verde Rio Grande-Europa se afirma como resultado de uma construção coletiva, que reforça o papel estratégico do Porto do Rio Grande e evidencia a importância das parcerias institucionais e empresariais para posicionar o Rio Grande do Sul no centro das transformações do comércio marítimo internacional.
Texto: Ascom Portos RS
Edição: Secom
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