
O estado de São Paulo possui uma cultura agrícola muito diversificada, com diferentes variações e produtos que seguem crescendo e cada vez mais ganhando destaque, como o cacau, que tem seu dia comemorado neste dia 26 de março. A produção da fruta ganhou notoriedade no estado, com mais produtores realizando o seu cultivo através do auxílio do Governo de SP e programas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).
O Brasil está entre os 10 maiores produtores de cacau do mundo. Além disso, o país é um dos poucos do mundo que fazem todo o processo do ciclo completo do cacau, desde o plantio até a transformação em chocolate premium.
Em São Paulo, o cultivo de cacau já ultrapassa 650 hectares distribuídos em 66 municípios. No Vale do Ribeira e no litoral, são 53 propriedades que se beneficiam de condições climáticas semelhantes às das regiões tradicionais de cultivo, favorecendo o desenvolvimento da cultura.
Já nas demais regiões do estado, que somam 67 propriedades, com destaque para o noroeste paulista. Na ocasião, o cenário é diferente, marcado por estação seca bem definida, altas temperaturas ao longo do ano e a necessidade de irrigação. Mesmo com essas particularidades, o estado segue em expansão no plantio da fruta, investindo tanto na ampliação das áreas quanto no suporte aos produtores.
A SAA, por meio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), possui o Projeto Cacau SP, que tem contribuído para a evolução do cultivo em todo o estado. A iniciativa tem como objetivo estabelecer protocolos para o crescimento da cacauicultura paulista, com projetos em diversas áreas para a evolução do plantio, como pesquisa e desenvolvimento, assistência técnica e extensão rural, associativismo/cooperativismo e parcerias público-privadas.

O projeto também oferece oportunidades para os agricultores se qualificarem para o cultivo da cultura em todo o estado, através de capacitações, palestras, visitas técnicas, dias de campo e sensibilizações.
“Ao integrar assistência técnica, pesquisa, planejamento estratégico e articulação institucional (pública e privada), a CATI tem atuado como agente estruturador da cadeia produtiva do cacau no estado de São Paulo, desde a produção de mudas até a fabricação do chocolate, em um trabalho fundamental para garantir que a expansão da cultura ocorra com base em critérios técnicos, sustentabilidade econômica e segurança fitossanitária”, ressaltou Ricardo Domingos Pereira, diretor da CATI.
Assistência e pesquisa que também são vistas nas lavouras, como da empresária Renata Martucci, que produz chocolates artesanais. A produtora utilizava matéria-prima de Ilhéus, na Bahia, mas a distância dificultava o abastecimento. Essa realidade mudou com a adesão ao projeto Cacau SP e a consequente troca de fornecedor: “A proximidade com os produtores reduz as distâncias e resolve alguns gargalos que enfrentamos em relação à matéria-prima”.
O cacau tem funcionado ainda como grande alternativa para produtores diversificarem suas culturas e enfrentarem desafios impostos por fenômenos climáticos e pragas agrícolas históricas, como o greening. Com apoio essencial da CATI, Norival Puglieri, produtor na cidade de Novais, região de São José do Rio Preto, investiu na transição da citricultura para o cacau em sua propriedade.
“Com alterações e situações que afetaram a produção de laranja na região, nós tomamos uma decisão estratégica de iniciar o plantio de cacau, que é uma cultura que se assemelha em espaçamento, irrigação, colheita manual. Temos tido orientação técnica e suporte da CATI, especialmente em relação à proteção contra ventos, e tem sido fundamental. A CATI é, sem dúvida, a grande responsável pelo avanço consistente da cacauicultura no Noroeste Paulista, uma cultura que vem se mostrando cada vez mais adaptada às condições locais”, explicou Norival.
Além disso, o programa Cacau SP também incentiva a produção artesanal de chocolate bean to bar, que consiste na fabricação do chocolate diretamente da amêndoa integral à barra, sem aditivos artificiais ou segmentação de processos.
Por meio de parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), que integra o Cacau SP, a CATI realiza treinamentos bimestrais sobre a produção artesanal de chocolate, na Casa da Agricultura e na Vitrine Tecnológica instalada em propriedade no município de Adolfo.
Além do Projeto Cacau SP, a SAA incentiva a cacauicultura com outras iniciativas e projetos, como o Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Soluções Inovadoras para o Desenvolvimento Sustentável da Cadeia Produtiva do Cacau em SP (CCD Cacau 360°), que teve início neste mês liderado pelo Ital .
Com sede no Ital e na Unicamp, a iniciativa, que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), possui cinco frentes de estudo, que contará com o trabalho de 91 profissionais ao longo de cinco anos. O enfoque está no fomento ao cultivo, na produção de chocolate, no desenvolvimento de novos alimentos e no controle de riscos à saúde.
O objetivo do projeto é impulsionar a produção em áreas que não são historicamente tradicionais na produção de cacau, como o Sudeste, elevar a qualidade do fruto produzido em São Paulo e diminuir a necessidade de importação, além de elevar os benefícios para quem consome. A consequência direta pode ser o acesso a chocolates de melhor qualidade, mais nutritivos e sustentáveis.
Vale destacar também que a pasta possui um cacaual urbano dentro do Instituto Biológico (IB-APTA), na capital paulista, fruto do Cacau SP. Implantado em 2022, com participação de crianças e adultos na plantação visando a educação ambiental, o cacaual conta com 90 mudas dentro do espaço.
A produção de cacau possui utilidades e variações que vão além do cultivo tradicional para a fabricação de chocolate. A fruta também tem grande destaque na geração de nibs, que são amêndoas torradas e descascadas, e também em outros produtos como mel de cacau, manteiga de cacau, chá, achocolatados e polpas utilizadas em sucos e outras receitas.
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