
Pouco mais de um ano após seu lançamento, o programa Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis já tem gerado impacto nas cidades que foram beneficiadas com ações. A iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, desenvolvida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), tem como foco promover o desenvolvimento sustentável nos municípios com intervenções orientadas pelo Caderno de Tipologias Urbanas Modulares, que traz soluções baseadas na natureza para implementar infraestruturas verdes nos núcleos e beneficiar a população em aspectos relacionados ao lazer, à segurança e à mobilidade urbana.
O projeto já beneficiou mais de 1,3 mil famílias nas cidades de Araçoiaba da Serra e Alambari, na região de Sorocaba, em Lagoinha, na região de São José dos Campos, em Juquitiba, na Grande São Paulo, e, mais recentemente, em Tabatinga, na região Central, e em Macedônia, na região de São José do Rio Preto. Nas áreas de implementação, houve ganhos imediatos e significativos para a qualidade de vida nas comunidades com novas infraestruturas urbanas sustentáveis e de mobilidade, além da criação de espaços verdes que dispõem de opções de esporte e lazer. Somado, os investimentos totais nos seis municípios chegaram a R$ 1,5 milhão.
Para Mirtes Luciane, consultora da Subsecretaria de Desenvolvimento Urbano, a associação das tipologias evidencia a criação de um ambiente integrado com múltiplos benefícios. “Quando temos um programa que é dedicado a áreas públicas e mais distantes do centro, garantimos mais qualidade de vida para estes núcleos. Um projeto implementado com qualidade faz com que a população passe a confiar na vida local. As pessoas começam a sair mais de casa e passam a conviver mais, e isso que é importante, o Estado e os municípios promoverem essa integração e, na medida do possível, implementar mais áreas verdes, porque faz com que as pessoas usem cada vez mais o espaço público e tenham qualidade de vida ambiental”, explicou.
O Caderno de Tipologias Urbanas Modulares possui oito eixos de intervenção, sendo: manejo de águas pluviais, pavimentação, mobilidade, manejo de sistemas hídricos, áreas verdes multifuncionais, equipamentos, iluminação e sinalização. Além de orientar a elaboração de projetos para que os municípios consigam firmar convênios, o Caderno também pode ser utilizado pelas próprias prefeituras como base para intervenções a serem realizadas com recursos próprios.
A iniciativa tem como base a Nova Agenda Urbana da Organização das Nações Unidas (ONU) e vai auxiliar o Estado de São Paulo a atingir as metas do Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e das campanhas Race to Zero e Race to Resilience, aderidas desde 2021 pelo Governo. As tipologias detalhadas no caderno contribuem para todos os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.
O projeto piloto do Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis começou em Araçoiaba da Serra, na região de Sorocaba. A obra, entregue em junho de 2024, revitalizou duas áreas públicas aos arredores do Conjunto Habitacional Vereadora Maria Paula Esposito, com investimento de R$ 477,8 mil pela gestão estadual. Os locais, antes usados para descarte irregular, foram transformados em duas praças, onde foram implementados equipamentos de esporte e lazer – duas quadras, sendo uma de areia, uma pista de skate, além de playground e aparelhos de ginástica – e estruturas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável, como pisos intertravados para a impermeabilização da água da chuva e, ainda, espaços verdes. Além disso, também foram instaladas faixas de travessia, calçadas contínuas, recursos de acessibilidade, bancos, lixeiras e iluminação em LED.
Após serem entregues, os espaços tiveram impacto imediato no cotidiano dos moradores, que passaram a contar com opções de lazer até então inexistentes no bairro. “Havia alguns espaços ali perto do centro, mas não com o conforto que temos hoje, entendeu? Com a praticidade, a mobilidade e os aparelhos que foram instalados para as pessoas aqui. Quem quer fazer exercício, faz, quem quer caminhar, caminha. Mudou totalmente, é outro padrão”, relata Paulo Sérgio Ferreira, de 55 anos. O comerciante, que mora há 14 anos no bairro, usa o espaço, principalmente, para ter um momento de diversão com os netos. “Quando estão aqui, eles adoram vir na quadra de areia. Trazem bicicleta, patinete, enfim, tudo que podem, bola principalmente. É muito prazeroso ver a juventude gostar disso, porque é um espaço que vai ficar para eles, né?”, completou.
A melhora na qualidade de vida dos moradores com os novos equipamentos também é percebida em relação à segurança sanitária. O acúmulo de lixo na área propiciava a proliferação de animais peçonhentos, como baratas, ratos e escorpiões, o que deixava a população exposta a riscos de contaminação. “Os espaços trouxeram mais segurança, porque agora é um lugar aberto, livre de entulho. O pessoal falava que tinha bastante bicho, como cobra, escorpião e por aí vai“, detalhou o empresário Felipe Nunes Aquino, de 35 anos. Pai da pequena Sabrina Vitória do Prado Aquino, de 5 anos, que também faz uso do equipamento nos momentos de lazer, ele avalia que o projeto contribui para redução do tempo das crianças e adolescentes em frente às telas.
No aspecto social, as praças também fortaleceram os laços de convívio e o sentimento de comunidade entre os moradores, conforme relata Wellington Correia de Oliveira, de 50 anos. “Você observa hoje que de tarde, o pessoal, os idosos, os vizinhos vêm para praça conversar. Depois das 19h, tem bastante idosos, fora as crianças que ficam aqui brincando. Com isso, até eu mesmo, que já sou de casa, me sinto de Araçoiaba. Me sinto privilegiado com essa mudança”, explica. Morador do bairro há cerca de 12 anos, ele e a esposa Valéria Nazareth, de 39, usaram o espaço no ano passado para realizar uma festa no Natal. O evento, segundo relatou, chegou a reunir cerca de 300 crianças da cidade.
Em Juquitiba, a praça revitalizada pela SDUH também alterou diretamente a rotina das famílias do Bairro das Palmeiras. A área, até então tomada por mato e terra, passou a concentrar atividades de lazer, convívio e circulação, atraindo o desfrutar do local para os moradores que, antes, apenas passavam por lá. “Antigamente, o espaço estava abandonado. O antigo parquinho era precário, e dava medo deixar as crianças brincarem. Mas tudo melhorou. Mudou até o astral dos moradores”, disse Magali Rubira, de 64 anos, que vive no bairro desde 2020.
As melhorias contemplaram bancos, playground infantil, pergolado, iluminação pública, calçadas acessíveis, paisagismo e infraestrutura de drenagem com blocos intertravados e jardim de chuva, que auxiliam no escoamento das águas pluviais e reduzem alagamentos, antes frequentes naquele ponto. Também foram implantadas duas faixas elevadas para pedestres em frente à Unidade de Saúde da Família (ESF) e à Escola Estadual Bairro Palmeiras, o que fez aumentar a segurança viária. O investimento estadual foi de R$ 241 mil.
A incorporação de soluções ambientais à revitalização da praça teve participação direta dos moradores. Com apoio do Instituto Meandros de Proteção Ambiental e Reflorestamento (Impar), eles plantaram flores e árvores frutíferas, como orquídeas, girassóis e pés de tomate, no jardim de chuvas e no Pomar Urbano, iniciativa de plantio estratégico voltada em resiliência climática.
Os efeitos da requalificação do espaço público também atingiram quem vive do comércio no bairro. Maria Aparecida da Silva, de 51 anos, é dona de um ponto de venda de lanches na praça há quase duas décadas. Segundo ela, o aumento no fluxo de pessoas se refletiu diretamente no faturamento: as vendas da empresária cresceram cerca de 30% após a revitalização. “A intervenção fez daqui um lugar onde as pessoas ficam, conversam, comem, deixam as crianças brincarem. Isso mudou tudo”, contou.
“Senti que a reforma do local ajudou a trazer mais clientes para as lojas, porque as pessoas só passavam por aqui. Elas não viam e usavam o espaço como agora”, disse Martinho Cardoso, de 61 anos, que trabalha em um comércio de ração no entorno da praça. O idoso, morador do bairro há 12 anos, conta que a organização do espaço, com calçadas, bancos e iluminação, tornou a área mais convidativa para circular, conversar e permanecer – inclusive à noite, quando ele costuma passear com o cachorro.
Inaugurada em junho de 2025, a área de esporte e lazer em Lagoinha, no Vale do Paraíba, também foi totalmente revitalizada, por meio do programa Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis. O local, que já contava com um ginásio esportivo, recebeu melhorias como arborização urbana, pomar urbano, iluminação, bancos, pergolado, canteiros centrais deck de madeira, itens de acessibilidade, calçadas, além de pavimentação com blocos intertravados, drenagem e canteiro de chuva, que favorecem a drenagem do solo. A obra incluiu também a execução de faixa elevada para pedestres e sinalização horizontal e vertical em frente à Escola Estadual Padre Chico, proporcionando mais segurança na travessia.
Segundo a aposentada Regina Neri Turazzi, de 65 anos, as iniciativas realizadas no espaço público foram aprovadas pelos moradores do bairro. “As pessoas da terceira idade participam de atividades. As crianças das escolas vêm direto para aproveitar também. Hoje, só vejo gente falar bem, porque é um espaço útil. Fora que é uma vista maravilhosa. Ficou muito bonito com esse deck e valorizou a cidade. O pessoal frequenta aqui durante a semana, vem visitar a cidade, sobe para tirar fotos e passar horas agradáveis aqui”, contou.
Aos 41 anos, a pipoqueira Roseli Alves Moreira disse já nem reconhecer mais o espaço sem as mudanças: “Eu sempre vim aqui, mas eu só tenho a lembrança de agora, não tenho de antes, porque era somente um pátio sem nada. Agora tem a iluminação, os lugares para as pessoas sentarem para conversar, tem o deck para todo mundo conseguir ver a vista de Lagoinha, parquinho para as crianças se divertirem, além da quadra para jogarem bola e correr”, pontuou.
As soluções adotadas seguem tipologias modulares com eixos em mobilidade urbana, manejo de águas pluviais e sinalização. A obra foi realizada por meio de convênio entre a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH) e a Prefeitura de Lagoinha, com investimento total de R$ 370 mil, sendo R$ 300 mil do Governo Estadual e R$ 70 mil de contrapartida municipal. A área de esporte e lazer está inserida na malha urbana da cidade, próxima à Escola Estadual Padre Chico e ao Conjunto Habitacional Lagoinha A.
Outra cidade que também recebeu melhorias do Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis foi Alambari, também região de Sorocaba. O Conjunto Habitacional Alambari B (Jardim das Nações) foi beneficiado com o Sistema de Lazer José Abrami, entregue em julho de 2025. O circuito conta com pista de caminhada, quadra de grama sintética, playground, academia ao ar livre, paisagismo, piso intertravado, iluminação de led e sinalização nas ruas. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 200 mil nas intervenções.
Recentemente, em dezembro do ano passado, mais duas obras foram entregues pela SDUH. Em Tabatinga, na região Central, uma área pública no Conjunto Habitacional Tabatinga H foi revitalizada. Com investimento total de R$ 186,2 mil, o espaço recebeu arborização urbana, parque infantil, mobiliário urbano, iluminação em LED e itens de acessibilidade. Em Macedônia, as proximidades dos Conjuntos Habitacionais João Coltro e Macedônia G receberam recapeamento asfáltico e sinalização viária, com investimento total de R$ 190,7 mil.
Atualmente, o Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis tem obras em execução que irão beneficiar cerca de 2,6 mil famílias, em 12 municípios paulistas nas regiões de Campinas, Araçatuba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Marília, Central, Franca e Bauru. Também há 13,9 mil convênios firmados com 47 prefeituras, a um investimento estadual previsto de R$ 21,1 milhões.
Os municípios que desejam ser contemplados com melhorias do Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis devem enviar o pleito à SDUH, que analisará e selecionará os projetos que irão receber os recursos do Estado seguindo critérios objetivos, como índices de Desenvolvimento Humano, falta de acessibilidade, áreas permeáveis e o grau de risco climático do município. As propostas devem levar em consideração as tipologias e os métodos detalhados no caderno, de acordo com as necessidades avaliadas para a área.
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