
Fotos: Pablo Gomes/Epagri
Uma cultura centenária, que transcende gerações, continua fomentando a economia e garantindo o sustento de centenas de famílias na Serra Catarinense. Este é o vime, cuja utilização vai do artesanato às soluções ambientais e que conquista cada vez mais espaço entre uma clientela que valoriza as tradições e prioriza a sustentabilidade no meio ambiente.
Desde o cultivo inicial, o vime tem grande importância em pequenos municípios da região mais fria do Brasil . Um dos lugares onde a cultura ainda está bastante presente é Bocaina do Sul, com pouco menos de quatro mil habitantes e distante 35 quilômetros de Lages.
É lá que Ruan Matias Oliveira trabalha desde criança com vime. Embora existam outras produções na propriedade rural da família, o vime complementa a renda ao longo do ano, o que motiva Ruan a nunca parar aquilo que sempre fez.
“É uma atividade que eu faço com a família e é responsável por boa parte do sustento da casa. Uma renda que entra praticamente limpa. Eu sempre gostei, desde criança. Fui criado dentro de um cesto de vime. E se Deus quiser, quero continuar aqui, mexendo com isso”, diz Ruan.
O artesão destaca o apoio da Epagri no desenvolvimento da atividade. “A Epagri é quase uma segunda mãe. Ela acompanha, ajuda, vem aqui para ver se precisamos de alguma coisa, oferece apoio para exposições. E onde a gente está, vai aumentando o consumo do vime e a nossa renda junto”, acrescenta.

De acordo com Valberto Henckemaier, extensionista rural da Epagri em Bocaina do Sul, o vime ainda tem grande importância no município, especialmente na região do Vale do Canoas, e representa um ganho muito bom para muitas famílias. “Por isso, a Epagri está sempre junto dos produtores para preservar a tradição e movimentar a economia”.
A BR-282 é uma das principais rodovias federais de Santa Catarina e liga Florianópolis a Paraíso, no Extremo-Oeste do Estado, na fronteira com a Argentina. E é exatamente às margens desta importante rota turística e de escoamento de produção que a beleza do vime é apresentada a viajantes da América do Sul.
Na altura do Km 175, na localidade de Areião, em Bocaina do Sul, está localizado o Centro de Comercialização Grupo União do Vime, uma associação que nasceu com 28 e hoje já conta com 350 famílias que trabalham com madeira, sabonetes artesanais e, principalmente, o vime.
“Sempre temos uma boa expectativa de receber os clientes. As lojas e os mercados nos procuram bastante pedindo cestas para montar kits. Também vendemos muito para viajantes de todos os lugares que passam por aqui a passeio ou a trabalho. Isso é muito gratificante”, diz Franscieli Capistrano, representante da associação .

Em Lages, o servidor público Antônio Gilmar de Liz Rosa, morador do bairro São Pedro, também tem o artesanato de vime não apenas como complemento de renda, mas como fonte de uma felicidade que ele alimenta desde criança.
“Estou com 50 anos de idade, dos quais, 40 dedicados ao vime. Embora eu tenha outra profissão, não consigo ficar sem trabalhar com o vime, porque o vime é vida, é saúde e faz parte do meu dia a dia. Eu não me imagino parando com o artesanato. O vime me deu uma identidade e conseguiu fazer com que eu permanecesse na atividade, vendendo esta essência serrana”.

E se o vime é bom para quem cultiva e para quem produz artesanato, é igualmente bom para o meio ambiente. Em Lages, uma parceria entre a Epagri, o Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina ( CAV Udesc ) e a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Água e Saneamento (Semasa), resulta em um projeto que tem obtido bons resultados e já serve de exemplo para outros lugares.
Na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do bairro Araucária, uma plantação de vime produz grande quantidade de biomassa, o que contribui significativamente para os processos biológicos e naturais que ocorrem no tratamento e na remoção de poluentes do esgoto.

“Temos utilizado o vime com excelentes resultados, fechando o ciclo e trazendo um grande impacto na economia circular e nos objetivos do desenvolvimento sustentável. É o vime gerando importantes projetos, com alguns municípios já incorporando estas soluções no tratamento do seu esgoto urbano e rural”, explica o engenheiro sanitarista e ambiental Eduardo Bello Rodrigues, professor do CAV Udesc.
“Hoje, o saneamento rural é um problema porque estruturas convencionais são viáveis para grandes habitações, grandes volumes, municípios com mais de quatro ou cinco mil habitantes. Para populações menores, até mesmo propriedades individuais, este sistema não é o mais eficiente. Assim, entram as soluções baseadas na natureza. Neste caso, o vime, que é uma das espécies mais usadas no mundo para este serviço, por ser extremamente eficiente e capaz de estimular bactérias e microorganismos na decomposição e purificação dos lodos”, conclui o engenheiro-agrônomo Tássio Dresch Rech, pesquisador na Estação Experimental da Epagri em Lages.

Por: Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
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