
Um projeto da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem desenvolvido estudos para expandir o cultivo de arroz em terras altas, diversificando o tipo de solo do grão, que estava mais presente em várzeas inundadas no estado.
O projeto "SemeArroz" é um desdobramento da iniciativa "Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar", que busca expandir e diversificar a produção para pequenos agricultores, com aplicação em merenda escolar e futura autossuficiência do grão, ação aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) .
O "SemeArroz" tem foco especial nas produções no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. Somente em 2025, essas regiões receberam quase 200 Unidades Demonstrativas de cultivo de arroz de sequeiro, das mais de 300 implantadas em todo o estado. A coordenadora dos trabalhos e pesquisadora da Epamig, Janine Guedes, explica que o “SemeArroz” tem incentivado a agricultura familiar e o renascimento da cultura do grão em Minas Gerais. "Existe uma grande demanda pelo cultivo do cereal, especialmente, por agricultores familiares para atender à Política Nacional de Alimentação Escolar (Pnae)", diz.
"Junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e a Universidade Federal de Lavras (Ufla), trazemos as tecnologias de plantio e colheita para esses produtores", afirma Janine Guedes. "Vamos até esses produtores, realizamos cursos, palestras, levamos sementes de cultivares comerciais bem aceitas no mercado, o adubo. Junto com eles, fazemos o plantio das Unidades Demonstrativas que serão acompanhadas durante o ciclo produtivo".
Ela acrescenta que o arroz vem complementar uma renda que o produtor já tem, além de ser uma cultura rústica e de fácil adaptação. "O arroz tem uma necessidade baixa de adubação e vai bem em áreas totalmente secas e também em áreas onde ocorrem alagamentos", elucida a pesquisadora da Epamig.
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"Além de fortalecer a segurança alimentar, o arroz traz renda adicional e impacta o meio ambiente. O cultivo de terras altas não tem uma grande necessidade de água e deixa uma palhada muito boa de cobertura de solo que pode ser usada no plantio de outras culturas", destaca Janine Guedes. | ||||
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O projeto, inclusive, incentiva e orienta o plantio de hortas circulares após a colheita do grão.
Incremento na produção
Em dezembro, Terezinha Cordeiro Rocha e José Maria Fernandes da Rocha receberam a equipe do projeto para a implantação da Unidade Demonstrativa no município de Veredinha, no Vale do Jequitinhonha. Na propriedade de menos de 1 hectare, o casal tem uma produção diversificada para a subsistência e fornecimento ao Pnae.
"A área aqui é pequena, mas toda cultivada. Plantamos feijão, milho, acerola, laranja, banana, cana-de-açúcar e capim para a vaca leiteira. Criamos porcos e peixes, produzimos farinha e a rapadura que usamos para adoçar o café. Tentamos cultivar de tudo e garantir uma alimentação saudável para a nossa família", revela Terezinha, que herdou o terreno da mãe e fica emocionada com a concretização de mais uma etapa.
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"Não teremos mais que comprar arroz. Logo vamos comprar só o sal, que a gente não produz aqui. Muito obrigada a todos que vieram fazer essa plantação que era o meu sonho. Eu sempre quis plantar arroz aqui", conta a agricultora Terezinha Cordeiro Rocha. | ||||
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A área para a implantação das unidades demonstrativas do projeto varia entre 500 e 1.000 metros quadrados, sendo que em 500 metros é possível obter entre 250 e 300 quilos de arroz.

Nos dois últimos anos, somente com esses trabalhos, Minas saltou de 18º para 11º produtor do grão no Brasil. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) indicam que a produção do estado em 2024 foi de 88,7 mil toneladas.
"As pesquisas já mostraram que o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha têm muito potencial para arroz de sequeiro, uma alternativa muito viável para aumento em área de produção", diz a pesquisadora Janine Guedes.
Pesquisa aplicada
A identificação dos agricultores e propriedades que recebem as Unidades Demonstrativas é feita pelos escritórios locais da Emater-MG. "Aqui temos a demonstração do encontro entre a pesquisa e a extensão, com os resultados da pesquisa aplicados à realidade do produtor", comenta o coordenador regional de Culturas da Emater-MG em Capelinha, José Mauro de Azevedo.
A interface entre pesquisa, extensão rural e segurança alimentar faz parte das diretrizes do Governo de Minas .
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"Todo o sistema da Agricultura em Minas Gerais atua para impulsionar a atividade em nosso estado e melhorar a vida dos nossos produtores. Nosso objetivo é, cada vez mais, auxiliar e fomentar o desenvolvimento rural sustentável", assegura o vice-governador Mateus Simões. | ||||
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Trabalho integrado
Juntos, Epamig, Emater-MG e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) , sob coordenação da Seapa, atuam no apoio ao produtor até a certificação como um fator estratégico para agregar valor à produção e ampliar acesso à comercialização.
No âmbito do Programa Certifica Minas , que reconhece propriedades rurais que adotam boas práticas ambientais, sociais e trabalhistas, produtores de arroz podem requerer as certificações de Produtos Orgânicos e a certificação S.A.T. (Sem agrotóxico). Interessados em aderir a essas certificações podem buscar orientação junto ao IMA, responsável pela certificação dos produtos.
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