Quinta, 26 de Fevereiro de 2026
19°C 32°C
Dourados, MS

Epamig desenvolve projeto para expandir o cultivo de arroz de terras altas no Jequitinhonha e no Norte de Minas

'SemeArroz' estuda diversificação da plantação do grão em locais mais secos e fortalece a agricultura familiar no estado

26/02/2026 às 08h11
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais
Compartilhe:
Erasmo Reis / Epamig e Igor Rocha / Epamig
Erasmo Reis / Epamig e Igor Rocha / Epamig

Um projeto da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem desenvolvido estudos para expandir o cultivo de arroz em terras altas, diversificando o tipo de solo do grão, que estava mais presente em várzeas inundadas no estado.

O projeto "SemeArroz" é um desdobramento da iniciativa "Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar", que busca expandir e diversificar a produção para pequenos agricultores, com aplicação em merenda escolar e futura autossuficiência do grão, ação aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig)

O "SemeArroz" tem foco especial nas produções no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. Somente em 2025, essas regiões receberam quase 200 Unidades Demonstrativas de cultivo de arroz de sequeiro, das mais de 300 implantadas em todo o estado. A coordenadora dos trabalhos e pesquisadora da Epamig, Janine Guedes, explica que o “SemeArroz” tem incentivado a agricultura familiar e o renascimento da cultura do grão em Minas Gerais. "Existe uma grande demanda pelo cultivo do cereal, especialmente, por agricultores familiares para atender à Política Nacional de Alimentação Escolar (Pnae)", diz.

"Junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e a Universidade Federal de Lavras (Ufla), trazemos as tecnologias de plantio e colheita para esses produtores", afirma Janine Guedes. "Vamos até esses produtores, realizamos cursos, palestras, levamos sementes de cultivares comerciais bem aceitas no mercado, o adubo. Junto com eles, fazemos o plantio das Unidades Demonstrativas que serão acompanhadas durante o ciclo produtivo".

Ela acrescenta que o arroz vem complementar uma renda que o produtor já tem, além de ser uma cultura rústica e de fácil adaptação. "O arroz tem uma necessidade baixa de adubação e vai bem em áreas totalmente secas e também em áreas onde ocorrem alagamentos", elucida a pesquisadora da Epamig.
 

 

"Além de fortalecer a segurança alimentar, o arroz traz renda adicional e impacta o meio ambiente. O cultivo de terras altas não tem uma grande necessidade de água e deixa uma palhada muito boa de cobertura de solo que pode ser usada no plantio de outras culturas", destaca Janine Guedes.

 
  
  


O projeto, inclusive, incentiva e orienta o plantio de hortas circulares após a colheita do grão.

Incremento na produção

Em dezembro, Terezinha Cordeiro Rocha e José Maria Fernandes da Rocha receberam a equipe do projeto para a implantação da Unidade Demonstrativa no município de Veredinha, no Vale do Jequitinhonha. Na propriedade de menos de 1 hectare, o casal tem uma produção diversificada para a subsistência e fornecimento ao Pnae.

"A área aqui é pequena, mas toda cultivada. Plantamos feijão, milho, acerola, laranja, banana, cana-de-açúcar e capim para a vaca leiteira. Criamos porcos e peixes, produzimos farinha e a rapadura que usamos para adoçar o café. Tentamos cultivar de tudo e garantir uma alimentação saudável para a nossa família", revela Terezinha, que herdou o terreno da mãe e fica emocionada com a concretização de mais uma etapa.
 

 

"Não teremos mais que comprar arroz. Logo vamos comprar só o sal, que a gente não produz aqui. Muito obrigada a todos que vieram fazer essa plantação que era o meu sonho. Eu sempre quis plantar arroz aqui", conta a agricultora Terezinha Cordeiro Rocha.

 
  
  


A área para a implantação das unidades demonstrativas do projeto varia entre 500 e 1.000 metros quadrados, sendo que em 500 metros é possível obter entre 250 e 300 quilos de arroz.

Terezinha e José Maria Rocha (Crédito: Erasmo Reis / Epamig)
Terezinha e José Maria Rocha (Crédito: Erasmo Reis / Epamig)


Nos dois últimos anos, somente com esses trabalhos, Minas saltou de 18º para 11º produtor do grão no Brasil. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) indicam que a produção do estado em 2024 foi de 88,7 mil toneladas.

"As pesquisas já mostraram que o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha têm muito potencial para arroz de sequeiro, uma alternativa muito viável para aumento em área de produção", diz a pesquisadora Janine Guedes.

Pesquisa aplicada

A identificação dos agricultores e propriedades que recebem as Unidades Demonstrativas é feita pelos escritórios locais da Emater-MG. "Aqui temos a demonstração do encontro entre a pesquisa e a extensão, com os resultados da pesquisa aplicados à realidade do produtor", comenta o coordenador regional de Culturas da Emater-MG em Capelinha, José Mauro de Azevedo.

A interface entre pesquisa, extensão rural e segurança alimentar faz parte das diretrizes do Governo de Minas .
 

 

"Todo o sistema da Agricultura em Minas Gerais atua para impulsionar a atividade em nosso estado e melhorar a vida dos nossos produtores. Nosso objetivo é, cada vez mais, auxiliar e fomentar o desenvolvimento rural sustentável", assegura o vice-governador Mateus Simões.

 
  
  


Trabalho integrado

Juntos, Epamig, Emater-MG e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) , sob coordenação da Seapa, atuam no apoio ao produtor até a certificação como um fator estratégico para agregar valor à produção e ampliar acesso à comercialização.

No âmbito do Programa Certifica Minas , que reconhece propriedades rurais que adotam boas práticas ambientais, sociais e trabalhistas, produtores de arroz podem requerer as certificações de Produtos Orgânicos e a certificação S.A.T. (Sem agrotóxico). Interessados em aderir a essas certificações podem buscar orientação junto ao IMA, responsável pela certificação dos produtos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Dourados, MS
29°
Tempo limpo

Mín. 19° Máx. 32°

29° Sensação
3.05km/h Vento
43% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
06h34 Nascer do sol
19h10 Pôr do sol
Sex 34° 19°
Sáb 36° 21°
Dom 36° 21°
Seg 31° 20°
Ter 35° 20°
Atualizado às 10h05
Economia
Dólar
R$ 5,13 +0,09%
Euro
R$ 6,06 +0,15%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 368,777,74 -1,73%
Ibovespa
190,817,00 pts -0.23%